No mês em que se comemora o dia da mulher, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Mulheres à beira-mar
Confundindo os seus cabelos
com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu
e tão denso em plena
liberdade.
Lançam os braços pela praia
fora e a brancura dos seus
pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a
curva dos seus olhos
prolonga o interminável rasto
no céu branco.
Com a boca colada ao horizonte
aspiram longamente
a virgindade dum mundo que
nasceu.
O extremo dos seus dedos toca
o ponto de espanto e de
vertigem onde o ar acaba e
começa.
E aos seus ombros cola-se uma
alga, feliz de ser tão verde.
Sophia de Mello Breyner Andresen