Nada volta a ser o mesmo duas vezes.
Nem o amor.
Nem as Pessoas.
Nem a vida...
Com o tempo tudo passa.
Vi, com alguma paciência,
o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Poema do mês | ESAN
segunda-feira, 4 de maio de 2026
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Poema do mês | As mãos, de Manuel Alegre
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas
segunda-feira, 13 de abril de 2026
sexta-feira, 13 de março de 2026
Poema do mês "Eu quero morrer no mar" de António Lobo Antunes | ESAN
porque a aventura é
ficar
se a minha terra é
pequena
eu quero morrer no
mar.
Lençóis de algas e
peixes
de barcos a menear
no dia em que tu me
deixes
eu quero morrer no
mar.
E se o negro é tua cor
respirando devagar
depois de amor meu
amor
eu quero morrer no
mar.
António Lobo Antunes
terça-feira, 3 de março de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
terça-feira, 22 de abril de 2025
Poema do mês de abril/maio
São
Leonardo da Galafura
À proa dum
navio de penedos,
A navegar
num doce mar de mosto,
Capitão no
seu posto
De comando,
S. Leonardo
vai sulcando
As ondas
Da
eternidade,
Sem pressa
de chegar ao seu destino.
Ancorado e
feliz no cais humano,
É num
antecipado desengano
Que ruma em
direcção ao cais divino.
Lá não terá
socalcos
Nem vinhedos
Na menina
dos olhos deslumbrados;
Doiros
desaguados
Serão
charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos
os montes
Deixarão
prolongar os horizontes
Até onde se
extinga a cor da vida.
Por isso, é
devagar que se aproxima
Da
bem-aventurança.
É lentamente
que o rabelo avança
Debaixo dos
seus pés de marinheiro.
E cada hora
a mais que gasta no caminho
É um sorvo a
mais de cheiro
A terra e a
rosmaninho!
Miguel
Torga
sexta-feira, 7 de março de 2025
Poema do mês de março na BE da ESAN - Mulheres à beira-mar
No mês em que se comemora o dia da mulher, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Mulheres à beira-mar
Confundindo os seus cabelos
com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu
e tão denso em plena
liberdade.
Lançam os braços pela praia
fora e a brancura dos seus
pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a
curva dos seus olhos
prolonga o interminável rasto
no céu branco.
Com a boca colada ao horizonte
aspiram longamente
a virgindade dum mundo que
nasceu.
O extremo dos seus dedos toca
o ponto de espanto e de
vertigem onde o ar acaba e
começa.
E aos seus ombros cola-se uma
alga, feliz de ser tão verde.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
terça-feira, 7 de janeiro de 2025
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
Poema do mês de novembro-dezembro
sexta-feira, 4 de outubro de 2024
Poema do mês de outubro na BE da ESAN - Quando eu sonhava
Quando Eu Sonhava
Que nos meus sonhos a via;
E era assim que me fugia,
Apenas eu despertava,
Essa imagem fugidia
Que nunca pude alcançar.
Agora, que estou desperto,
Agora a vejo fixar...
Para quê? - Quando era vaga,
Uma ideia, um pensamento,
Um raio de estrela incerto
No imenso firmamento,
Uma quimera, um vão sonho,
Eu sonhava - mas vivia:
Prazer não sabia o que era,
Mas dor, não na conhecia ...
Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
Poema do mês de setembro na BE da ESAN
Verbo
que se sirvam delas, que as partam em fatias, sílaba a
sílaba, para as levarem à boca - onde as palavras se
voltam a colar, para caírem sobre a mesa.
Assim, conversamos uns com os outros. Trocamos
palavras; e roubamos outras palavras, quando não
as temos; e damos palavras, quando sabemos que estão
a mais. Em todas as conversas sobram as palavras.
Mas há as palavras que ficam sobre a mesa, quando
nos vamos embora. Ficam frias, com a noite; se uma janela
se abre, o vento sopra-as para o chão. No dia seguinte,
a mulher a dias há-de varrê-las para o lixo.
Por isso, quando me vou embora, verifico se ficaram
palavras sobre a mesa; e meto-as no bolso, sem ninguém
dar por isso. Depois, guardo-as na gaveta do poema. Algum
dia, estas palavras hão-de servir para alguma coisa.
Nuno Júdice | "As Coisas Mais Simples" | Publicações Dom Quixote, 2007
terça-feira, 4 de junho de 2024
Poema do mês de junho - Construção de Chico Buarque
Construção
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acbou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Chico Buarque








.png)












