quarta-feira, 22 de março de 2023

Uma manhã feliz no meio de fadas também reais

 A convite da professora bibliotecária Carmen Santos, do Agrupamento de Escolas de António Nobre, no Porto, eu e a Cristina Pinto, a ilustradora de As fadas do bosque das cores e das estórias (Editorial Novembro), fomos, na quarta-feira, dia 22 de março, à escola do primeiro ciclo de Montebello apresentar este nosso livro. Dispostos numa mesa a árvore da amizade, as sete fadas, o livro, os marcadores, pequenas fadinhas, papel para ilustração, etc., uma professora disse com um largo sorriso e uma voz bem sonora sobre o grupo que estava para chegar:  

- A minha turma é um espetáculo!                                                          

 - A professora também é, disse depois um miúdo. 

 

A manhã prometia. Foram entrando dois grupos de alunos do segundo ano. Depois do intervalo, viriam mais duas turmas do quarto ano.                                                                                                                                            

 Os quatro grupos eram formados por meninos e meninas nascidos em vários continentes e que ali estavam juntos a aprender e a viver os seus plenos direitos e deveres. Tal como os ramos da árvore que ali estava eram fortalecidos por troncos diferentes e próximos.                                                                                                     

 Já com os alunos e professores dentro da sala grande, nós, autora e ilustradora, contextualizámos a história, desta vez, com a ajuda de um 'bosque' de árvores penduradas, recortadas de jornais e revistas e, naturalmente, das sete fadas, bem visíveis nas suas diferentes cores.                                                                

 Seguiu-se uma leitura de excertos do livro, feita por ambas de forma partilhada. Foi muito bom ver os meninos e meninas atentos ao texto e dizerem que tinham gostado. E logo alguns bracitos se foram levantando para perguntas e respostas, nas quais foram referidos valores, lembrados também por eles próprios, como a amizade, a solidariedade, a união, o respeito pelo ambiente, etc.                                                    

 E chegou o momento de os meninos desenharem a sua fada para depois ser pendurada, juntando-se às árvores do bosque, sobre o olhar orgulhoso dos seus autores. Enquanto desenhavam, um menino perguntou: 

 - Posso desenhar um fado?                                                                                                                                                  

Com o mesmo afeto, dissemos que sim, é claro. A propósito, no corredor contíguo à sala, havia uma bela e útil colagem com junção de afetos.                                                                                                                                              

Em conversa com os professores que acompanhavam os seus alunos, falou-se das dificuldades atuais, mas também das alegrias com os sucessos dos seus alunos, por exemplo, em língua portuguesa, uma vez que muitos provinham de países diferentes. Vimos trabalhos como os que uma professora tinha gravado com satisfação no telemóvel, com retratos do poeta António Nobre, feitos na aula aproveitando restos de café. E também ouvimos de uma professora de voz meiga que muitos meninos e meninas gostam de ler e de ouvir histórias, o que trouxe ainda mais luz ao encontro.                                                                                                           

À saída da escola, vários dos alunos que tinham estado connosco na atividade vieram abraçar-nos.                   

Para nós, foi mesmo uma manhã feliz no meio de fadas também reais. Oxalá que a alegria tenha sido partilhada.                                                                                                                                            

 Maria Dolores Garrido (autora convidada)

 

terça-feira, 21 de março de 2023

Dia Mundial da Poesia

 


A partir dos excelentes trabalhos desenvolvidos na disciplina de Matemática, a Biblioteca lançou a atividade: Da Matemática à Poesia. E assim, no Dia da Poesia, os alunos dos 12CT e 12º LH, da Professora Anabela Carvalho, selecionaram trechos da poesia de Eugénio de Andrade e com eles legendaram os trabalhos dos seus colegas. A ciência e a literatura lado a lado, como convém.

 


 

sexta-feira, 17 de março de 2023

“Um Livro, Um filme”

 

A obra que escolhi para este projeto foi o livro “Anna Karénina” escrito por Lev Tolstoi. Esta obra relata a história trágica de Anna e centra-se nas suas relações com dois homens. Alexei Vronsky é um charmoso oficial do exército que a irmã de Anna ama e com quem espera casar-se. Vronsky, no entanto, é cativado por Anna, que não quer perturbar o romance da sua irmã. Casada e com um marido distante, Anna finalmente sucumbe aos encantos de Vronsky, embarcando num romance. Quando o seu marido descobre, ameaça divorciar-se, o que a levaria a perder o direito de manter o seu filho. Ela deve tomar uma decisão difícil, cujo resultado será sempre a sua infelicidade.

Relativamente ao filme, achei que, apesar de algumas partes do livro de cerca de 800 páginas não terem sido mostradas, o principal está muito bem feito. Gostei muito desta experiência também porque permitiu dar mais vivência às personagens e às cenas descritas no livro. Enquanto o livro permite “dar asas à imaginação”, o filme “dá vida” à história relatada. A leitura do livro fascinou-me bastante, mas ver o filme aumentou os meus horizontes. O livro que li foi o da editorial Presença. O filme que vi foi a versão de 1948, de Julien Duvivier.

 Leonor Mota, 10º LH2



 

quarta-feira, 8 de março de 2023

Feliz dia da mulher!


 

«A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama
  E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração
 Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha
  Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são
  A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade
 Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher»

Mulher, de Ary dos Santos

 

segunda-feira, 6 de março de 2023

Poema do mês de março

 

Poema Ode à Paz, de Natália Correia


Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
 deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"