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sexta-feira, 7 de março de 2025

Poema do mês de março na BE da ESAN - Mulheres à beira-mar


 No mês em que se comemora o dia da mulher, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen.


Mulheres à beira-mar


Confundindo os seus cabelos

com os cabelos do vento,

têm o corpo feliz de ser tão seu

e tão denso em plena

liberdade.


Lançam os braços pela praia

fora e a brancura dos seus

pulsos penetra nas espumas.


Passam aves de asas agudas e a

curva dos seus olhos

prolonga o interminável rasto

no céu branco.


Com a boca colada ao horizonte

aspiram longamente

a virgindade dum mundo que

nasceu.


O extremo dos seus dedos toca

o ponto de espanto e de

vertigem onde o ar acaba e

começa.


E aos seus ombros cola-se uma

alga, feliz de ser tão verde.


Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Poema do mês


 Poema do mês na ESAN, “Novembro” de Sophia de Mello Breyner Andresen.

"A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras."

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dois vultos das "palavras", lado a lado,pela "terra" e pelo "mar"

        Está, ao longo do ano letivo, na biblioteca da ESAN, uma exposição sobre a produção literária de dois grandes vultos da literatura, da nossa cidade: Sophia de Mello Breyner e Eugénio de Andrade. Os alunos do Agrupamento têm, deste modo, oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre estes dois autores que amavam a cultura e a literatura portuguesa e o conhecimento, em geral.    
       Tinham, para além destes aspetos, outros em comum, como a sabedoria e a humildade de quem sabe, viveram, embora em períodos diferentes, na cidade invicta: ela, durante a sua infância; ele desde a sua idade adulta até à morte.
Anabela Ferreira

quinta-feira, 24 de março de 2011

Autor do mês

Autor do mês de Março: Sophia de Mello Breyner


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Trabalhos realizados pelos alunos: